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A Vez dos Fones


Homem de costas, de frente para uma avenida, com fone do tipo headphone, em suas costas uma mochia.

É uma verdadeira febre. Conversa, não tem mais. A individualidade tomou conta. Isso é bom ou ruim? Para ser sincero, classifico a situação como sendo preocupante.


Outro dia, do meu lado, sentou um rapaz, deveria ter uns dezessete anos. O fone estava enterrado nos ouvidos. Mesmo assim, era possível ouvir a música que ele curtia. Mesmo sem querer, ele acabou compartilhando comigo, durante toda a viagem, o funk que saía do fone. Se para mim o volume estava alto, imagina dentro das orelhas! Mas ele pareceu não se importar com esse detalhe.


Teve uma vez, também dentro do ônibus, que um senhor entrou e sentou-se no banco na minha frente. Ele podia jurar que o fone estava bem posicionado, no entanto, o vídeo no YouTube começou a rodar e todos ouviram as primeiras letras da música de um show antigo do Amado Batista. Sem jeito, o senhor olhou para os lados, enquanto tentava, sem sucesso, pausar o vídeo. Claramente, o senhor estava tentando entrar na onda do momento.


Também já presenciei uma mulher xingar alguém, talvez o marido por ter feito alguma coisa errada. Na ocasião, jurei que ela estava xingando um amigo invisível; só quando ela arrancou o fone dos ouvidos com violência, que tive certeza de que os xingos eram para alguém do outro lado da linha.


Enfim, os fones se tornaram um fenômeno mundial. A individualidade é gritante, cada ser humano não sai mais de casa sem os fones, de certa forma, ninguém mais puxa conversa. Confesso que fico sem jeito de tentar iniciar um diálogo com alguém que está com fones nos ouvidos. É chato, a pessoa tira um fone para ouvir e deixa o outro, o olhar, praticamente, diz: deixa eu ouvir minha música em paz!


A sociedade quase não olha mais para os lados, tão pouco ouve os barulhos em volta. Já vi muitas pessoas embarcarem no trem errado, por não terem ouvido o cara anunciar o destino do trem.


— Não avisaram nada! — ainda reclamam, tentando ter razão.


Alguém, outro dia, falou com todas as letras, que essa é a geração mais desatenta que existe; não tenho dúvidas com relação a isso. Em tempos de epidemias, pouco se fala na epidemia dos fones de ouvidos. Uma epidemia séria, que aos poucos, vai construindo muros entre as pessoas.


Curioso, porque já falaram que construir muros é algo grave. Mas, tenho a impressão, que todos os dias, pessoas constroem muros por aí.



 

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Até breve,

Vander Christian




 

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