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Confusão



Muitas vezes começamos o dia com uma falta de sorte tremenda. Quando isso acontece, uma coisa é certa: Vem confusão por aí!

Dia desses, embarquei no ônibus, como sempre faço todas as manhãs para ir trabalhar, e segui com certa dificuldade até encontrar um banco vazio, sem querer esbarrei na cordinha da campainha. No próximo ponto o motorista parou achando que alguém ia descer.

— Se não vai descer porque apertou a campainha? — Perguntou o motorista azedo.

— Desculpa! — Gritei envergonhado. Todos já estavam olhando para mim.

Pô, foi sem querer! Precisava de toda aquela confusão?!

Pois é, o dia nem bem tinha começado e eu já estava arrumando confusão. Imagina como seria o resto do dia? Até que tive sorte, não surgiu mais confusão, o dia foi maravilhoso. Concluí, que não podemos julgar o andamento de algo só pelo início ruim.

Confusões podem surgir em qualquer momento e com todo mundo. Um amigo, disse outro dia, que entrou na maior confusão só porque estava conversando com um bêbado na rua.

— Até mais meu filho! — Gritou o bêbado para o meu amigo assim que ele entrou no ônibus.

Todos que estavam dentro do ônibus olharam feio para o meu amigo, como se ele tivesse cometido um crime. Intrigado, quis saber o motivo daqueles olhares. Descobriu que o bêbado mexia com todos que passavam na rua. Que cheirava a esgoto. Ninguém gostava do sujeito. Só então o meu amigo entendeu porque todos olharam para ele como quem diz: E o seu pai, hein. Vê se cuida dele! Ninguém aguenta mais! Resolve a situação do seu pai!

O meu amigo tentou se explicar:

— Nem conheço ele.

Tarde demais. Algumas pessoas até balançaram a cabeça, num sinal de reprovação. Que confusão!

Agora, nem uma outra confusão, supera a que eu presenciei, de frente a estação de Jundiaí. Um grupo de pessoas estavam reunidas em volta de um carrinho de salgados, era de manhã, hora do café. Um velho se aproximou do carrinho de salgados, vestia uma roupa suja de tinta de todas as cores, carregava nas mãos duas sacolas cheias de alguma coisa, que não consegui saber o que era. O velho deixou as sacolas no chão e pediu uma coxinha. Tudo ia bem até que um rapaz, ao terminar de beber o café, jogou o copo na sacola do velho, pensando que era lixo.

— Você não pode jogar esse copo aí! — Disse o velho.

— Desculpa! Eu pensei que era lixo.

— Mas não é lixo!

— Sinto muito. Eu realmente me enganei!

— São as minhas coisas!

A discussão continuou por mais alguns minutos. De certa forma, a situação era engraçada. Mas eu não dei risada porque me vi na pele do rapaz. Tomara que o dia dele não tenha sido um desastre.

Somos vítimas da confusão. Mas isso não quer dizer que estamos errados, também não quer dizer que procuramos viver aquilo. O jeito é seguir em frente, tentar fazer com que o resto do dia, seja uma maravilha.