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Figurinhas


Durante muito tempo, guardei numa caixa velha, um monte de figurinhas. Elas vinham dentro das embalagens de bala e podiam ser compradas por apenas dez centavos. Era uma festa, bastava dizer:

— Quero dez centavos de bala.

E vinha três balas. As figurinhas eram objetos de desejos da criançada. Então, compensava mesmo era juntar pelo menos cinquenta centavos e desfrutar das trinta figurinhas novas, que, provavelmente, ninguém ainda tinha. Bons tempos. Sempre era possível trocar as figurinhas repetidas e também conseguir umas novas, no “bafo”, durante o recreio. Pena que passava tão rápido o intervalo; logo a sineta tocava, era hora de voltar para a sala de aula. Isso gerava certa desavença, pois a disputa precisava ser remarcada para o outro dia. Nem sempre quem estava ganhando, aceitava os termos calado.

Não sei ao certo como as figurinhas foram perdendo forças. Talvez isso aconteceu na mesma época em que a bala sofreu um reajuste de preços. Os pais não tinham mais condições de deixar dinheiro com os filhos para comprar balas; as figurinhas ficaram esquecidas, até acabar de vez.

A minha caixa ficou lá, guardada no fundo de uma gaveta. Minha mãe queria que eu jogasse elas no lixo, afinal não serviam para nada. Não joguei.

Certa vez, fui visitar a biblioteca da escola. Fui escolher um livro para ler. Gostei de um, capa simples, poucas páginas. Chamava-se: O Gênio do Crime. Levei o livro para casa. Tinha prazo para entregar. Só comecei a ler faltando dois dias para devolvê-lo. Já estava até considerando prorrogar o prazo com a bibliotecária. Não foi preciso. Na primeira linha que li, já estava encantado com a história. Contava as aventuras de garotos com figurinhas de jogador de futebol. “A turma do Gordo”, personagens do livro, tinham um certo talento para detetives, adorei a história. Percebi que aquele livro tinha algo especial. Percebi que toda criança gostava de figurinhas, toda criança deveria ter uma caixa com figurinhas guardada em algum lugar, assim como eu. Indiquei o livro para os meus amigos. E O Gênio do Crime demorou a retornar para as prateleiras da biblioteca da escola.

A minha caixa com figurinhas se perdeu durante uma mudança. Nunca mais a vi. O Gênio do Crime ainda está por aí, encantando leitores. O autor, na última semana, foi morar em outro lugar. Deixou “A Turma do Gordo” órfãos. Mas deixou a certeza de que, mesmo uma história sobre figurinhas, pode sim, produzir leitores e mais leitores...





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Até breve,

Vander Christian






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