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Livro Novo

Já perguntaram como é o meu processo de escrever um livro. Acho legal as pessoas perguntarem isso, já que o ideal, é cada vez mais o escritor estar próximo dos seus leitores. Vale lembrar que, anos atrás, grandes escritores ficavam isolados dentro de casa, no meio do mato, enquanto construía um novo livro. Ninguém sabia de nada. Ninguém tinha ideia de que um livro novo estava prestes a ser lançado. O contato entre autor e leitor era algo raro de acontecer.

Hoje é tudo muito dinâmico. Um objeto, chamado celular, leva os leitores para dentro da casa do escritor; muitas vezes é possível até ler algumas palavras do novo livro. Todo cuidado é pouco, pois o inédito pode se transformar numa praga e se espalhar de maneira assustadora.

Entrando na onda de estar próximo dos leitores, respondi que o processo de criação de um livro, é algo muito complexo. O meu monitor, por exemplo, parece qualquer coisa, menos um monitor! São tantas anotações coladas num pequeno pedaço de papel amarelo, que ninguém mais entende o que aquilo quer dizer... Só o autor mesmo é capaz de se localizar naquele labirinto de informações de cada personagem.

— Então o local que você escreve é uma bagunça?

— Não, não é uma bagunça. São várias coisas espalhadas em vários lugares. É diferente de uma bagunça.

Também me perguntaram se tenho uma roupa preferida para usar quando estou escrevendo. Uso qualquer roupa. Semana passada, para escrever, usei uma bermuda jeans, uma camiseta regata, enquanto os pés ficaram bem confortáveis no chão fresco do cômodo com várias coisas espalhadas em vários lugares. O calor estava intenso!

— Nossa, pensei que você vestia uma roupa do tipo social, algo mais clássico...

Pois é. São particularidades que muitos desconhecem. Já ouvi dizer que o ideal é quando for escrever um livro, agir como se estivesse chegando numa empresa para iniciar o primeiro dia de trabalho. Se for uma regra, provavelmente, eu não ficaria o dia todo na empresa, pois escrevo com qualquer roupa. Basta estar inspirado.

A casa é outra coisa curiosa. Quando anunciei que era escritor, algumas pessoas acharam que eu morava no meio do mato, escondido das pessoas.

— Deve morar num lugar tranquilo.

Negativo. Moro longe do centro da cidade, é verdade. Mas não é tão tranquilo assim. Do lado direito tem uma igreja. De frente, tem um bar. Do lado esquerdo, os vizinhos deixam claro o tipo de música que serei obrigado a escutar nos fins de semana. Na rua, crianças fazem o portão da garagem de traves, como se fosse o Maracanã.

— Nossa, então como você consegue escrever?

— Não sei. Só sei que escrevo.

Para ser sincero, adoraria morar num sítio, distante do barulho da cidade grande. Mas estou esperando a internet chegar nesses lugares, onde o único barulho é o cantar dos pássaros. Assim, estarei em contato com os leitores e com a paz, que um dia escritores famosos já tiveram o privilégio de ter.

Acho que vai demorar um pouco, já que nem onde moro, a internet chegou direito.




 


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Até breve,

VANDER CHRISTIAN

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