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Viagem No Tempo

Atualizado: 7 de jan. de 2020


Hoje resolvi lembrar do passado. Fui até a estante, abri a gaveta e lá estava ele. Fazia tanto tempo... Lentamente, comecei a virar as páginas e mergulhei numa viagem cheia de lembranças boas...

As fotos, tiradas em um dia qualquer, traziam muitos significados. Representavam um tempo, uma época, que jamais voltará. O sorriso no meu rosto, ainda adolescente, me fez lembrar das amizades antigas que se perderam ao longo tempo. Numa foto, era possível contar sete amigos, todos juntos, numa viagem que a escola realizou. O local, uma estação de ciência, não existe mais. Se perdeu junto com as amizades. Dizem que amizades verdadeiras nunca acabam. Mentira, acabam sim. Acabam, quando tomamos certas decisões. Ali, cada um segue o seu caminho. E só fica as lembranças, guardadas num álbum, dentro de alguma gaveta.

Em outra foto, não consegui segurar uma exclamação. Quase não lembrava que a rua de casa, uma dia, teve uma terra vermelha, parecida com areia, e que por conta disso, minhas roupas sujavam de maneira incontrolável. A areia vermelha não existe mais. Também se perdeu ao longo do tempo. O asfalto preto, meio cinza, vive trincado, tamanha a quantidade de automóveis que passam nela.

Sorri, ao ver a foto em que minha irmã tentava fugir das investidas do espoleta Preto. Para mim, ele foi o melhor cachorro que já tive. Adorava se jogar no chão, na sombra do pé de manga. Na foto, era possível ver a sombra enorme que formava no meio da tarde. O Preto não existe mais. Morreu, vítima de uma doença que nem lembro o nome. O pé de manga foi cortado. Tinha parado de dar frutos. Minha irmã, provavelmente, deve estar na casa dela vendo a mesma foto e se lembrando desses momentos incríveis, de um passado não tão distante assim.

Quantas lembranças cabem dentro de um álbum? Dentro de uma foto? Quantas histórias são representadas numa pose para a câmera?

Quem tem um álbum, guardado dentro de uma gaveta, tem tudo. Tem a certeza de que um dia algo valeu a pena.

Infelizmente, tenho medo de no futuro, sermos uma geração carente de lembranças boas. Seremos uma geração sem álbum. As fotos de hoje podem ser apagadas sem querer ou perdidas. O álbum de hoje não ocupa espaço na gaveta da estante. As fotos hoje, podem ser editadas para mostrar uma expressão falsa de um momento qualquer. Tenho medo de sermos uma geração, cujas fotos sejam robotizadas e sem vida.

Por fim, tenho medo, que um dia, não exista mais uma gaveta com um objeto capaz de fazer uma viagem no tempo, igual a que acabei de fazer.





 


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Até breve,

VANDER CHRISTIAN




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